ENTREVISTA FEITA COM O EX-PRESIDENTE DO BARROCA, HÉLIO DA SILVA, NA OCASIÃO DA PUBLICAÇÃO DA REVISTA BARROCA 50 ANOS (2007)

Dr. Hélio da Silva, o “JK” do Barroca Tênis Clube

Dr. Hélio da Silva, o “JK” do Barroca Tênis Clube

Hélio da Silva foi eleito presidente do Clube, em 1970, e permaneceu no cargo até 1987. O médico pediatra, formado na UFMG, usou seu olhar empreendedor para construir, em seu longo e virtuoso mandato, o ginásio poliesportivo, a piscina superior, as saunas feminina e masculina, a biblioteca, o atual prédio da secretaria (uma antiga unidade escolar), o salão de beleza, o hall de entrada e o scotch-bar (atual restaurante). Ainda em sua gestão, houve o lançamento do primeiro jornal informativo do Clube, o Betecê. Na década de 70, o Barroca foi considerado ‘Clube Modelo’, pela 2ª Convenção Nacional de Clubes Sociais, realizada em Brasília (DF). Também nessa época, Dr. Hélio foi eleito o melhor presidente de clube de BH, pelo Prêmio “Melhores do Esporte Especializado”. Mineiro de Belo Horizonte, nascido no dia 20 de outubro de 1925, casou-se com Dora Fonseca Silva, com quem formou a família de cinco filhos, dez netos e dois bisnetos. Em sua residência, no bairro Gutierrez, ele concedeu a seguinte entrevista a Revista Barroca.

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RB – Quando eleito presidente, Juscelino Kubitschek criou um plano de metas para o desenvolvimento do Brasil conhecido pelo slogan “50 anos em 5”. Se fosse para analisar os seus 17 anos na presidência do BTC e toda a evolução patrimonial do Clube durante este tempo quantos anos o senhor acha que o Barroca evoluiu em seu mandato?

Dr. Hélio – Sinceramente, não sei. Uns 50 anos talvez. Quando me tornei presidente as coisas não estavam muito bem. Comecei organizando a parte administrativa, depois tivemos que enfrentar o problema da inadimplência dos associados. Começamos realizando muitas festas no Barroca. Além de trazer gente ao BTC, os eventos se tornaram nossa maior fonte de renda. Com dinheiro em caixa começamos a investir na estrutura. Fizemos muito pelo Barroca. Claro que faltou e ainda falta muita coisa a ser feita, mas tivemos que parar. Acho que deixamos um bom legado.

RB – A construção do ginásio poliesportivo foi uma ação empreendedora da sua gestão. Um ginásio dinâmico, construído para o lazer dos sócios e para os treinamentos das equipes do esporte amador. Como foi essa realização?

Dr. Hélio – Certo dia olhei para a área da antiga quadra de tênis de saibro e disse aos colegas da Diretoria: Vou construir um ginásio poliesportivo para o Barroca. Todos diziam que eu estava louco, que o Clube não tinha recursos para isso. Eu tinha apenas uma pequena parte do dinheiro para fazer, mas mesmo assim mandei brasa. Com a ajuda do amigo e engenheiro Geraldo Pazzini iniciamos os projetos. Com muito esforço e dedicação de toda a comunidade barroquense conseguimos levantar o ginásio.

RB – Foram muitos os eventos realizados durante a época de sua gestão. Uma dessas grandes festas era a famosa seresta do Barroca, muitas vezes, com a participação de ícones da música brasileira como Nelson Gonçalves, Orlando Silva, entre outros. Como era a preparação destes grandes acontecimentos?

Dr. Hélio – Eram noites inesquecíveis aquelas. Quase não anunciávamos direito as serestas. E nem precisava. A região toda ficava eufórica quando aconteciam essas grandes apresentações. O Clube ficava lotado. Tanto os sócios como quem não era podia comparecer, a entrada era franca. A adesão de novos associados era grande depois dessas festas. O Orlando Silva era muito amigo do Diretor Social do Clube, Dr. Trajano. Ele nem cobrava cachê para se apresentar.

[quote float=”right” by=”Hélio da Silva”]Vou construir um ginásio poliesportivo para o Barroca. Todos diziam que eu estava louco, que o Clube não tinha recursos para isso. Eu tinha apenas uma pequena parte do dinheiro para fazer, mas mesmo assim mandei brasa.[/quote]

RB – O senhor foi o pioneiro e talvez o único presidente a implementar uma escola dentro de um clube. A unidade escolar do BTC foi uma obra audaciosa e teve bastante repercussão na época. Hoje em dia ela não existe mais e no local passou a ser a secretaria. Como funcionava a escola do Barroca?

Dr. Hélio – A finalidade da unidade escolar do BTC era ser um jardim de infância para as crianças associadas e também para aquelas que não eram. Sócios tinham desconto de 75% e não sócios pagavam normalmente. Todos os professores, diretores eram funcionários do Clube. Foi um projeto muito empreendedor. Sempre fui apaixonado com criança. Todo dia passava lá para visitar a meninada. Infelizmente, a idéia não vingou.

RB – A construção da biblioteca do Barroca era um desejo seu desde os primeiros anos como presidente. Mas apenas em 1982, com a doação dos livros de seu irmão, Oity Silva, o sonho foi realizado. Como isso tudo aconteceu?

Dr. Hélio – Eu sempre gostei muito de ler, acho muito importante. Devido a questões financeiras demoramos um pouco para inaugurarmos a biblioteca. Uma vez, fui visitar meu irmão Oity em sua casa e vi uma grande quantidade de livros. Era tanto que alguns já estavam indo até para a garagem, pois no quarto não cabia mais. Pedi a ele alguns e ele doou cerca de 4.000 livros para o Barroca. Era só construir. Como homenagem coloquei seu nome na biblioteca. Fico feliz a vendo funcionar até hoje. Quem ganha com isso são os sócios.

RB – As equipes de esporte amador sempre tiveram destaque em seus mandatos. Tanto como presidente como na época em que era Diretor de Esportes. Qual era sua relação com os times do Barroca?

Dr. Hélio – Eu acompanhava todas as equipes. Chegamos a ser campeão mineiro de futebol de salão na década de 60. Sem dizer da nossa equipe de natação master, que foi e continua sendo excelente. Gostava de todos os esportes. Torcia muito.

[quote float=”Left” by=”Hélio da Silva”]O sentimento que tenho hoje pelo Barroca é o mesmo de quando pus os pés pela primeira vez no Clube. Tenho muito carinho pelo BTC.[/quote]

RB – O primeiro informativo do Barroca foi lançado em sua gestão. O Betecê já nasceu mensal e com uma tiragem de 3.000 exemplares. Qual era o papel do jornal para o Clube?

Dr. Hélio – Acho que o principal papel do jornal naquela época e também continua sendo hoje é o de informar. O informativo do BTC é um meio excelente para divulgar o que está acontecendo no Barroca, homenagear sócios, funcionários, mostrar o que está sendo feito no Clube.

RB – No ano do cinquentenário, qual a sua mensagem para aqueles que frequentam o BTC?

Dr. Hélio – A minha mensagem para todos os barroquenses é de amor e afeto. Que todos aqueles que contribuem de alguma forma para o crescimento do Barroca continuem prestigiando este querido Clube e que comemorem bastante o seus 50 anos de conquistas e vitórias. O sentimento que tenho hoje pelo Barroca é o mesmo de quando pus os pés pela primeira vez no Clube. Tenho muito carinho pelo BTC.